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27/04/2010

O Discurso Filosófico


A tipologia do discurso nietzschiano, desviante em relação ao jargão da philosophia perennis, que desde Platão se constitui como instrumento da demanda da verdade, poucas vezes olhando para si de forma crítica, dá muito a pensar.

Podemos dizer que a filosofia só é no preciso momento em que um discurso (dizer "filosófico" torna-se irrelevante) é formulado, e acaba quando esse suporte desaparece. Ontologizar o discurso, fazer dele o ser da filosofia, retira a esta disciplina o sentimento de estar ao serviço da verdade, ou melhor, desconstrói a velha ideia que o discurso filosófico usado está ao serviço de algo maior do que ele: a verdade. Mas, como vantagem, aumenta a sua liberdade estilística, estimula a sua vocação, tantas vezes inibida, para experimentar e torna-a exemplarmente auto-crítica (talvez a primeira das necessidades do mundo actual).

Serve isto para apresentar o belo livro de Serge Botet acima exposto, todo ele dedicado à investigação da discursividade filosófica, questionada e reinventada por Nietzsche. Cito um pequeno excerto da introdução:

"Globalmente, o nosso ponto de partida no presente trabalho é que Nietzsche não faz nem filosofia nem literatura, mas as duas conjuntamente; o seu discurso não é alternativamente «discurso filosófico» e «discurso literário», mas bem discurso filosófico do princípio ao fim; no entanto, trata-se de um discurso de tipo novo que tende a transcender de todos os lados os limites fixados ao discurso filosófico tradicional. A «literariedade», tantas vezes interrogada, do discurso nietzschiano não passaria de um indício de refundação radical do discurso filosófico, refundação que comporta várias facetas que tentámos fazer emergir no presente estudo, esforçando-nos para dele retirar a sua finalidade filosófica."


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